Centro Espírita Amor e Caridade

As Nossas Besteiras de Cada Dia - por Wellington Balbo

 

AS BESTEIRAS NOSSAS DE CADA DIA - por Wellington Balbo

 A enfermidade física impõem lições das mais significativas. Todo processo de moléstia da máquina orgânica é um convite ao cidadão rever seus hábitos. Não podemos malbaratar o corpo físico, pois não somos como os gatos que possuem sete vidas. Aliás, se há uma coisa que o capitalismo ainda não conseguiu colocar à venda foi a tal da vida humana. Não tem como o sujeito perder a vida e depois comprá-la no supermercado ou shopping center. Por mais que encontremos produtos nesses locais, lá não vendem vida, ou seja, vida orgânica, um corpo físico igual ao nosso. 

E uma lição importante deixada pelas enfermidades que vez ou outra nos assolam é o aprendizado da humildade. Exatamente: somos todos iguais, independentemente dos meus belos olhos castanhos eu sou igual àquele senhor de certa idade já com o corpo físico cansado pelas surras da vida que todos os dias passa em frente de minha casa rumo às sessões de quimioterapia. Com a enfermidade aprendemos que o orgulho é uma grande bobagem. Estamos no mesmo barco, logo, uma reflexão mais acurada sobre as razões dos sentimentos de superioridade que vez ou outra nos dominam, mostra-nos que somos todos iguais em termos de direitos e deveres. E pensando neste assunto – enfermidade e vida, lembrei-me de Gustavo, um grande amigo.

Há algum tempo o médico disse a Gustavo que as suas coronárias pareciam as de um senhor de 70 anos, embora ele tenha somente 36. Confidenciou-me o amigo que a sinceridade dói um bocado, mas é uma ferramenta preciosa para o despertar da ilusão de que seria sempre jovem; jovem aqui no sentido físico. Tem gente que pensa que será jovem para sempre, por isso detona a máquina física e ainda quando a enfermidade bate à porta revolta-se contra Deus, acusando-o de culpado ou exclama indignado: Que mundo cruel! Cruel somos nós mesmos que não respeitamos os limites do corpo e nos envenenamos com todos os tipos de substâncias nocivas ao organismo. O Gustavo jantava salgado todas as noites. Era um indisciplinado alimentar!

E dias atrás ele me disse que alguém tentou animá-lo: Que ano esse, hein, rapaz: Dois infartos e 6 meses afastado do serviço. Que coisa! Gustavo não deixou por menos e respondeu: Ano maravilhoso mesmo. Aprendi muita coisa em 2011. Tudo o que eu não deveria ter feito na vida foi o ano de 2011 que me ensinou. É a vida, caro leitor, o velho e batido ditado, quem não aprende pelo amor aprende pela dor mais uma vez mostrou-se implacável. A mãe de Gustavo sempre o aconselhava: Cuide-se rapaz, cuide-se! Esses conselhos eram para ele aprender pelo amor. Mas fez ouvidos moucos e aprendeu, ou melhor, está aprendendo pela dor. Vamos ver se num futuro próximo ele começa a aprender pelo amor. E olha que seu pai sempre dizia: juízo, menino, tome juízo! Mas ele não quis, preferiu comer salgado. 

 

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