Centro Espírita Amor e Caridade

Cequessu - por Richard Simonetti

 CEQUESSU - por Richard Simonetti

Que se deve entender por Lei Natural?

A Lei Natural é a Lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do Homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.

Questão n° 614, Livro dos Espíritos.

A direção da faculdade decidira promover um debate sobre assuntos de atualidade, solicitando aos alunos que sugerissem, por escrito, os temas.

Houve várias indicações: violência, inflação, tóxico, suicídio, loucura, relacionamento familiar, vocação... Uma delas era decididamente estranha. O autor escrevera simplesmente cequessu. A palavra não estava registrada em nenhum dicionário. Seria um neologismo? Não havia pistas etimológicas relacionadas com sua possível origem. E se fosse uma expressão estrangeira? Lembrava um pouco a pronúncia francesa... Consultaram especialistas em Francês e também Inglês, Italiano, Alemão... Pesquisa inteiramente inútil. Ninguém a conhecia.

Foi então que um velho professor de Português, habituado a decifrar as idiossincrasias linguísticas dos alunos, concluiu que não estavam às voltas com estrangeirismo, modismo ou neologismo, embora enquadrado noutro ismo. Tratava-se de um analfabetismo, porquanto o aluno pretendera referir-se a um tema antigo, velho como o Homem, muito conhecido, muito debatido, e o grafara tão deturpado que o tornara irreconhecível. Conforme foi confirmado depois, junto ao autor da proeza, aquele cequessu significava sexo.

Fora esse o tema escolhido pelo estudante que, como tantos outros, se alfabetizara na adolescência, transitando de forma precária  por cursos supletivos e, num exame elementar de seleção, em escola com oferta de vagas maior que a procura, ingressou no curso superior. Um semianalfabeto na faculdade, por falta de vivência escolar, de convívio com os livros, em aprendizado metódico e disciplinado.

Assim como acontece em relação à língua pátria, há muita gente iletrada, espiritualmente, cursando a Universidade da Vida. São pessoas incapazes de distinguir, em profundidade, o certo do errado, a virtude do vício, o bem do mal, confundindo-se e se comprometendo, frequentemente, em erros elementares de julgamento.

Esses insipientes companheiros de jornada evolutiva revelam, não raro, inteligência brilhante, cultura respeitável ou apreciável sensibilidade artística. Destacam-se. Conseguem sucesso e prestígio, utilizando-se dos meios de comunicação, particularmente a televisão, onde são admirados por milhões de pessoas. No entanto, incapazes de vivenciar os grandes temas morais, transformam-se em instrumentos de perturbação e desajuste - cegos a guiar outros cegos - veiculando ideias que, aparentemente ousadas e renovadoras, semeiam a confusão, induzindo a multidão desavisada a um comportamento irregular e vicioso.

É evidente que cada indivíduo atua no meio social conforme o estágio de evolução que lhe é próprio. Se imaturo, ainda que culto e inteligente, terá dificuldade em ajustar-se a padrões de virtude e discernimento.

Importante considerar, entretanto, que estamos na escola terrestre exatamente para superar nossa ignorância espiritual, nosso atraso moral. Desfrutando os benefícios do esquecimento temporário, que nos permite superar paixões e fixações que precipitaram nossas quedas em vidas anteriores, podemos, desde que convenientemente preparados, operar nosso ajuste às Leis Divinas.

Sobretudo, é possível exercer benéfica influência em favor dos aprendizes que chegam à Terra pela porta da reencarnação. A Doutrina Espírita explica que o estágio infantil é extremamente favorável a esse processo. Nessa fase o Espírito é muito sensível às impressões que colhe no contato com os adultos. Um trabalho bem feito, uma orientação saudável, em nível de escolaridade, poderá oferecer-lhe preciosa oportunidade de renovação, o que na idade adulta será mais difícil, em face da milenar tendência humana de acomodamento às próprias mazelas.

Um exemplo simples ilustra perfeitamente o assunto: o fumante inveterado colhe mil informações a respeito dos malefícios do fumo. Há tantos problemas provocados pelo cigarro que o conhecimento deles é assustador. No entanto, nem assim ele consegue convencer-se da necessidade de deixar de fumar. Há um bloqueio em sua vontade, um desvio de entendimento provocado pelo próprio vício. Ainda que inteligente e ativo, o fumante revela-se obtuso quando se trata do cigarro. Por isso costuma-se dizer que o cigarro tem uma brasa de um lado e um tolo no outro. Faltou-lhe  uma orientação adequada sobre o assunto, no tempo devido. Faltou escolaridade. Se desde a infância houvesse recebido esclarecimentos precisos, dificilmente seria envolvido por esse vício terrível.

É bastante ilustrativo que nas mocidades espíritas, em instituições bem orientadas, raros jovens viciam-se no fumo. Não que sejam submetidos a rígidas disciplinas, a uma proibição rigorosa. Simplesmente os moços são esclarecidos, durante anos, desde as aulas de evangelização infantil, sobre o problema, preparando-se, inclusive, para enfrentar as pressões do ambiente escolar, dos clubes sociais, das reuniões com os amigos, onde o adolescente adere ao vício simplesmente para não se sentir deslocado, diferente, inseguro...

Daí a importância da iniciação religiosa em bases de escolaridade, desde a mais tenra infância, a fim de que o Espírito que inicia a romagem terrena seja preparado para a observância das Leis Divinas, aproveitando integralmente as oportunidades de edificação da jornada humana e vivenciando corretamente, na Universidade da Vida, os grandes temas morais, sem fazer confusões do tipo cequessu.

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